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quinta-feira, 10 de junho de 2010

entrevista XX: Marcela Maciel, estilista

Nos tempos de escola eu ouvia minha irmã mais velha contar sobre uma colega de classe chamada Marcela que era muito caprichosa nas coisas que fazia. Eu era muito pequena mas lembro como hoje o dia em que Bia, minha irmã, saiu daqui de casa vestida de Rose, do Titanic, com um longo vermelho e um colar com pingente de coração azul que meu pai mandou fazer especialmente para compor o figurino da noite: ela estava pronta para ir ao aniversário daquela tal amiga. A festa tinha como tema filmes e aconteceu até entrega de Oscar! A aniversariante? Estava linda como Audrey Hepburn no clássico A Bonequinha de Luxo.

Os anos foram passando, eu fui crescendo e continuei a ouvir as histórias da vida de Marcela. Até que lá pra 2008, quando comecei a trabalhar como modelo, conheci efetivamente a Marcela Maciel estilista quando desfilei para a coleção que lançou aqui em Aracaju que era inspirada no Mágico de Oz. Começávamos o desfile com grandes asas de borboleta à la Victoria Secret´s e com aqueles biquínis ultra românticos que eram a coisa mais linda... me encantei de cara! Desde então não parei mais de ler esse romance antiguinho que é a história da sua vida, mas pedi que ela me emprestasse algumas folhinhas pra eu colar aqui no blog e vocês lerem também.



XX: Conte sua trajetória até chegar na Marcela Maciel Beachwear e a relação da sua vida com a moda.


Marcela: O teatro foi o começo de tudo. Foi ele quem me trouxe ao Rio de Janeiro aos 14 anos, atrás do sonho de um dia brilhar nos palcos. Ele também me despertou uma enorme paixão pelo figurino que, enfim, levou-me à faculdade de moda em 2003.
Trabalhei como assistente de figurino da peça Grande Othelo, fui figurinista das peças infantis “A Fuga das Ortaliças” e “Fantasminha Pluft”, e assistente de figurino de um comercial da cerveja Antártica. Na área de produção, trabalhei no Rio Moda Hype, assessorando novos estilistas no Fashion Rio, onde também atuei no backstage.

Ela estudou Design de Moda pela Universidade Veiga de Almeida e na sua formatura, em 2006, apresentou a coleção “O feitiço nordestino” que lhe rendeu o Prêmio Universidade Del Arte Ganexa (Panamá) pelo consulado panamenho, este prêmio era a oportunidade de desfilar sua criação no principal evento de moda do Panamá, o Días de Moda Panamá.

Foi um sucesso e a partir desse evento e por morar no Rio, resolvi abrir a marca moda-praia Marcela Maciel Beach Wear.

No início a marca foi pensada para ser exportada, por isso possui modelagens maiores para atender a esse público gringo que ainda se assusta com os mínis brasileiros, mas acham lindos. Mas depois da participação de grandes eventos como o Mode City Paris, em 2008, Marcela viu que não fazia sentido não fincar a marca no Brasil. Assim tudo foi acontecendo e surgiu então a linha infantil da marca, a Marcelinha Maciel Beachwear.



M: A Marcelinha Maciel é a minha identidade. Acho até que demorei muito para finalmente pôr esse projeto em prática. Ano passado, semanas antes de encerrar a coleção, resolvi urgentemente não esperar mais, desenvolvi as peças a tempo de colocar no catálogo e acabou que deu super certo. Adoro lidar com criança, adoro mais ainda as coisinhas minúsculas que elas vestem, enfim, dizem que ainda sou uma criança.

XX: O que te inspira na hora de criar?

M: Sou movida a imagens, cores, texturas, detalhes, enfim. Os figurinos das peças teatrais e filmes aos quais assisto são excelentes fontes inspiradoras. Bons livros e revistas ainda são insubstituíveis mesmo em tempos de Google e faço questão de vir abarrotada deles de minhas viagens.



XX: Você tem um atelier próprio, um lugar onde realmente coloca as idéias em prática? Isso ajuda na hora da criação?
M: Tenho o meu ateliê desde que iniciei o projeto da marca. As linhas, os tecidos, os manequins, as máquinas, enfim, acabam criando uma atmosfera super propícia ao processo de criação. É lá que organizo e estruturo melhor o emaranhado de idéias e informações que absorvo durante as pesquisas de coleção.

XX: Você poderia explicar como é mais ou menos o processo criativo e prática de uma coleção?
M: O processo de criação começa com uma pesquisa de tendências para o próximo verão, que inicia logo após o término de uma coleção. Essa pesquisa vai me orientar para a escolha de um tema, a partir do qual eu faço colagens de imagens diversas que definirão a cartela de cores, as texturas, as formas, a estamparia e outros detalhes. Essa é uma técnica de desenvolvimento de coleção bastante utilizada e difundida pelas melhores escolas de moda não só do Brasil mas do mundo.

XX: O que você diz para quem é sergipano e quer levar a moda como profissão já que não temos uma faculdade de moda ou até mesmo cursos livres e técnicos na área?
M: O curso de Design Gráfico tem sido uma fonte interessante de estilistas. Acho que essa coisa de trabalhar com criação de produtos, como sapatos, bolsas, acessórios, enfim, acaba por despertar em muitos designers gráficos o gosto pela moda. Ou justamente pelo fato de as faculdades de moda não estarem acessíveis, muitos estudantes acabam escolhendo o Design Gráfico como um caminho alternativo para aprender as técnicas de criação e desenvolvimento de uma coleção: briefing do produto, tema, colagem, cartela de cores e de materiais, por exemplo.

XX: Você tem um estilo bastante romântico de se vestir e de vestir suas clientes. Você acha que o estilo próprio do estilista acaba influenciando nas suas criações?
M: As coleções são marcadas por um estilo próprio do designer, sem dúvida. Quanto ao meu estilo, sou adepta do “recordar é viver”. Gosto de remexer o passado, tanto no que se refere ao meu próprio, quanto ao que a história dos grandes estilistas nos disponibiliza. Sou capaz de ficar horas fuçando a internet, revistas antigas ou até mesmo o famoso baú da vovó. Aliás, o tema da minha coleção de formatura foi retirado de um manuscrito já muito amarelado e sensível de receitas de minha tia-bisavó. Uma relíquia que continha desde como se livrar do pé-de-chulé até a receita do bolo passado geração após geração.



XX: Como ter um look vintage sem ficar antiguinho demais?
M: O bom estilo vintage de ser é aquele em que o atual é pincelado com referências do passado. Tipo, você pode pegar uma camisa branca básica, que nunca sai de moda, escolher alguns botões com referências antigas e aplicar na camisa. Com uma pitada de bom gosto, fica bem legal!

XX: Como você define o cenário da moda sergipana atualmente? Quem faz esse cenário?
M: Veja, a moda sergipana, no que se refere à criação, desenvolvimento e comercialização de coleções próprias, é muito tímida. Não significa que não haja potencial, muito pelo contrário. Mas creio que faltem escolas de moda, organização, incentivo e, principalmente, investidores interessados em fazer moda em Sergipe e não apenas em importá-la através das muitas franquias que temos. Uma coisa boa que começa a ganhar volume são os eventos de moda que, apesar de reproduzirem estritamente o que vem de fora, acabam chamando atenção e despertando o interesse de formadores de opinião e de jovens, o que no futuro, pode vir a gerar um movimento para a mudança desse cenário.

XX: O que falta para a moda sergipana despontar no cenário brasileiro?
M: Falta muito. Moda em Sergipe significa hoje muito mais falar sobre a moda (dos outros) do que criar, desenvolver, comercializar e se preocupar com todos os aspectos de uma coleção e da gestão de uma marca. Posso te dizer que é um trabalho árduo, de muitas renúncias e, (às vezes) com 10 minutos de glamour. Sem falar que não existe nenhuma garantia de que vá dar certo.
Acho que uma escola de moda seria um bom primeiro passo, essencial para canalizar as discussões, promover projetos e reivindicar progressos em torno do tema. Historicamente, as grandes transformações têm seu embrião formado em uma sala de aula.

E por fim, as rapidinhas:

Um vício: Internet.
Para comprar coisas boas e baratas em Aracaju e no Rio: Em Aracaju tenho visto muitas meninas fazendo bazares, acho que é uma boa pedida! No Rio, pontas de estoque de diversas lojas, brechós e feirinhas de bairro podem ser fontes de excelentes oportunidades.
Uma revista nordestina: gosto do formato da Ícone (eu não subornei a entrevistada, ok?)
Uma peça atemporal: Jeans.
O que não pode faltar na bolsa de uma mulher com muito estilo: Depende muito da personalidade dela, de suas preferências. Estilo é apenas uma de suas muitas características.
Seu ícone fashion: Channel.

Onde encontrar:
Maraju Rua Ananias Azevedo, 112- Galeria Via Chic- Loja 4 – 13 de Julho (Aracaju-Se)



Quero muito agradecer o carinho de Marcela que foi super fofa comigo!
Tô muuuito feliz em saber que vocês estão gostando do xiquexique, viu? Coloquem sempre os comentários aqui falando tudo!!
Qualquer coisa tô no: beleribeiro@hotmail.com e no @isabeleri
Me aguardem nessas férias, o xxblog vai bombar muuuuito!

Beijoos, muuuitos beijos xiques! IR.

5 comentários:

  1. Parabéns Isabele! A abordagem da entrevista foi realmente muito boa, com perguntas bem básicas e diretas - mas nem por isso desinteressantes.

    O blog está mesmo muito legal, e acho mesmo que contribui para uma cultura de moda na nossa cidade. Seria ótimo ver mais entrevistas com modelos, fotógrafos, editores, organizadores e outras pessoas da área em Aracaju.

    Beijo, até logo!

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  2. que orgulho d vc amiga!
    seu blog eh mt legal! leio tds os post e adoroooo
    sucesso sempre minha pequena ^^

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  3. ai que legal a entrevista, adorei. bem legal essa idéia, beijinhos!

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  4. Adorei conhecer mais um talento aqui do nosdeste!
    Parabéns Bele o blog está superprofissonal e interessante.
    Beijos

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  5. acho que marcela está cheia de razao no que se refere a falta de incentivos na area de moda.
    realmente ja é hora de termos uma escola de moda aqui.
    muito legal a materia.
    eijos

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