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domingo, 22 de novembro de 2015

Não, não estava tudo tão bem assim



Há algum tempo eu tenho tenho vontade de falar mais sobre mim. Eu, como blogueira, poderia criar um vídeo com a conhecida tag "50 fatos sobre mim" e falar sobre minhas manias e defeitos de uma forma mais divertida (sim, posso até fazer mais pra frente). Poderia também criar um texto no facebook, pensar numas hastags e ter muitas curtidas, mas eu tô um tanto cansada... e prefiro esse cantinho aqui, que é só meu e de vocês. Me sinto mais à vontade, me sinto em casa, entende?  

Eu ando preocupada comigo e com as pessoas. Eu tenho feito tudo no automático e percebo que muita gente também está fazendo isso com uma frequência preocupante. Eu vejo uma moça que decidiu partir acabando com a própria vida e ainda escuto um comentário aleatório "ah, quer saber? Ela tinha a cabeça fraca...". Eu vejo todo mundo tentando estampar uma felicidade e respondendo "tudo ótimo" quando tudo não está tão bem assim. 

E olha, não é culpa sua, eu também tenho feito isso. Quando alguém me encontra eu digo, "tudo bem e você?", mas não, não está tudo tão legal assim. As coisas estão difíceis, os ciclos estão se fechando, mas toda passagem e mudança é dolorosa. E eu não estava conseguindo lidar com isso sozinha, apesar de ter uma família e amigos incríveis comigo sempre, mas olha, quer saber a verdade? Estamos sozinhos sim, sinto dizer.  

Foi quando, em algum momento, eu decidi encontrar a minha psicóloga e eu não fazia ideia do quanto isso poderia mudar a minha vida. E olha, não estou falando de uma mudança drástica, da noite pro dia, com corte de cabelo, casa nova ou emagrecer cinco quilos (não que isso seja menos válido). Estou falando em conseguir o entendimento sobre nós mesmos, parar pra pensar na sua vida e como você é responsável pelo seu caminho. 

Já estamos há algum tempo juntas e nos encontramos uma vez por semana. Conto pra ela tudo o que passo nos meus dias e confesso que é o único momento em que lembro de mim. Falo sobre as minhas sensações, sobre como enxergo as coisas e sobre como gostaria de ser vista. Ela conversa comigo, sempre com poucas palavras e sem julgamento. Na maioria das vezes ela me manda recados com minhas próprias palavras, dia desses ela disse: "Bele, você só tem 24 anos." 

Nesse mesmo dia eu havia contado a ela o quanto estava preocupada em como as pessoas me enxergavam e como isso estava me tirando algumas noites de sono (e sonhos). Disse isso depois de ter passado mais de meia hora com uma amiga no telefone no dia anterior. Essa amiga me contou dos seus problemas e eu dos meus, e, no final das contas ela me disse que nunca imaginava que eu teria tantos problemas assim, que imaginava a minha vida muito diferente antes de me conhecer mais de perto. Ela era a segunda ou terceira pessoa que me dizia aquilo.

Eu não sei por quais motivos, mas eu tenho sim muitas dores e amores. Eu tenho passado por uma das fases mais difíceis da minha vida, mas tenho pessoas maravilhosas comigo. Abandonei alguns sonhos e criei outros. Criei inimigos porque não consegui agradar a todo mundo e criei novos amigos por algum outro motivo. Mudei de opinião sobre muitas outras coisas e amadureci muito mais cedo que todas as minhas amigas da mesma idade que sabem falar mais línguas que eu e que aos 15 anos já conheciam cinco países diferentes.  

Eu não consegui dar aquela dupla pirueta, eu percebi que perdi tempo, eu atrasei meus estudos porque decidi investir em outro sonho e aprendi que preciso parar de me comparar com os outros pra me sentir bem. Eu perdi aqui, ganhei ali e aprendei que ainda dá tempo. Aprendi também que a maioria das pessoas são ruins e em algum momento vão inventar alguma coisa sobre você, especialmente se você for o tipo de gente que faz alguma coisa, diferente dela, que está postando a terceira selfie seguida em uma semana. 

Eu estou seguindo, com todas as minhas dores, com os meus gatos, com a minha família, com meus sonhos, meus amigos, com o cara maravilhoso e cheio de defeitos incríveis que escolhi pra ser o pai dos meus filhos. Decidi que a minha verdade é importante pra seguir os meus sonhos. E aprendi que cada um de nós tem um céu particular que deve ser respeitado, independente de qualquer coisa ou pessoa.  

Ps.: Essa ilustração aí em cima foi um dos presentes mais lindos que já ganhei na vida. Coisas que o ballet me proporcionou: conhecer uma menina lá com seus dezessete anos, com quem eu conversava sobre tudo, que tinha um nível de doçura e inteligência fora do comum. Lu, sua linda, obrigada e parabéns por ser quem é. 
  

8 comentários:

  1. Oi Belle, hoje publiquei esse texto no facebook:

    "Eu devo ser um pouco bandida, se tanta gente me viu com esse olho. Eu devo ser um pouco bandida, um pouco louca, um pouco coitada, um pouco perigosa, artista, otária. Porque ninguém está imune ao olho do outro. Mas nada disso se chama Márcia."

    Pegando emprestadas palavras de Arnaldo Antunes pra me lembrar que estamos sempre sujeitos ao julgamento do outro e que eu não preciso provar nada pra ninguém.

    Ler esse seu desabafo me fez sentir que não estou sozinha.

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  2. Que texto lindoo... Acompanho você a um tempo, mas não gosto de comentar em blog, sei lá. Sinto que a maioria das blogueiras não querem mesmo ler comentários, enfim. O suicídio que ocorreu essa semana, também mexeu comigo, sabe? Conhecia a pessoa de só ouvir falar e pensei, quanta dor cabe em um sorriso? Quantos tudo bem precisamos dizer por ai, porque não encontramos quem realmente queira ouvir o que temos a dizer? A vida é curta demais pra guardarmos nossos sentimentos. Beijos e excelente texto

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  3. Que lindo seu texto!! ! Que coincidência! Gosto de olhar seu blog porque me passa uma sensação de serenidade e um olhar diferente para a vida por sua simplicidade, porém fazia um tempo que eu não entrava por levar uma vida tão mecânica, como você mesmo falou. Mas hoje estava me sentindo triste, então resolvi entrar nele e encontrei justamente algo que eu precisava ler. Tudo o que você disse é IGUAL ao que eu sinto. Tenho a sua idade, me formei a pouco tempo e sinto que estou numa fase de transição muito grande. Muitas vezes tento me comparar com as outras pessoas e fico frustrada, mas infelizmente tenho dificuldade de colocar em minha cabeça que todos nós somos diferentes.
    Hoje meu maior problema é minha preocupação com meu futuro, mas estou percebendo que estou consumindo meu presente e com isso não vivendo como deveria.

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  4. Olha, como eu te entendo. Tenho sentido muito essas mudanças, as frustrações e as reviravoltas da vida. Com 24 anos, caminhando para os 25 tenho mudado bastante a minha visão sobre as pessoas e sobre mim mesma. Só muito de perto, podemos ter noção das dores de cada um. Essa situação da menina que tirou a própria vida me fez pensar sobre isso.
    Bele, acompanho de longe suas postagens aqui e seus projetos sempre muito criativos e interessantes. Parabéns por saber fazer o diferencial. Nada como termos personalidade nesse mundo de mesmice.
    Desejo muito sucesso para você, principalmente nessa incrível jornada do autoconhecimento!

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  5. Acompanho seu blog e seu trabalho há muitos anos. Sempre fiquei quietinha por aqui, apenas admirando seu trabalho pela tela do pc ou nas idas as feirinhas da Gambiarra. Hoje lendo esse post me senti no dever de escrever algo. Gostaria de te parabenizar por expressar esse lado humano que existe em todos nós, mas que em tempos de "felicidade obrigatória" ou "deixa eu mostrar que eu estou bem e feliz" muitos acabam negligenciando ou mascarando. Esses momentos fazem parte de crescimento tanto quanto aqueles maravilhosos em que parece estar dando tudo certo. O caminho do autoconhecimento é belíssimo, enriquecedor e contínuo (afinal a vida não pára, né?) e não tenho dúvidas que você encontrará uma Isabele mais fortalecida, humana e cheia de amor (e com muitas ideias p nossa querida ajucity :) )

    O meu carinho a você. Bianca Galindo

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  6. Olá Bela!
    E muito raro eu fazer um comentário, mas diante deste belo texto senti-me na obrigação de dizer que você e que eu não estou sozinha também. Mesmo sendo muito mais velha que você, tudo que você relatou, reflete o momento que estou passando. Mas tenhamos força, pois nos temos nosso bem maior 'o amor de nossa família'. Abraços!

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  7. Sem palavras,apenas bom saber que não sou o único!❤️❤️❤️

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  8. Engraçado, antes de escrever esse texto aqui, li os comentários acima e agora fiquei com receio de parecer repetitiva. Viu como não está sozinha? Muitas pessoas ao meu redor e eu mesma, estamos refletindo a respeito de aspectos de suas vidas e da humanidade como um todo. Vai ver esse é o momento pra isso mesmo. O mundo andou correndo demais, atropelando as coisas, as pessoas e as experiências... O modelo atual é falho. Vamos achar outro! Tô chegando à conclusão que o autoconhecimento, a paz interior e a compaixão podem ser a saída pra todas essas interrogações. E que a felicidade está dentro de nós e nas experiências vividas, nos momentos que podem ser frações de segundos. E que ser feliz não é ser o tempo todo feliz. Não é ser feliz se o outro tbm não é feliz. Portanto, tenho buscado me fortalecer pra buscar a minha felicidade e poder ajudar o outro a buscar a sua (e ter compaixão por ele quando ele não perceber isso). E o parâmetro deve ser a gente mesmo, ou seja, devo ser melhor do que fui antes e não melhor que o vizinho ou o amigo do Facebook. Estou adorando escrever aqui e colocar as ideias assim escritas ajuda, pra organizar os pensamentos... Final de ano pede isso. Você não está sozinha e acho que todos que te acompanham por aqui percebem o quanto sua personalidade é marcante e o quanto contribui pra seus leitores. Siga em frente e não se cobre tanto. Acho que melhor que atingir um objetivo, é curtir a caminhada, nem que seja pra chegar a outro destino que pode ser ou não melhor que esperava! E vamos fazendo a nossa parte, com a consciência tranquila, quem sabe o mundo não será melhor depois de todas as crises? Temos que acreditar e nos apoiar no que considerarmos melhor: religião, ciência, astrologia, família, amigos...

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