Mercado Xique Blog

segunda-feira, 23 de maio de 2016

50 fatos sobre mim | Por Isabele Ribeiro



Oi, gente! Tudo bem?
Finalmente mais um vídeo! hahaha
E veio com uma tag bem youtuber, né? Pra vocês entenderem que vim pra ficar e enjoar vocês pra sempre no canal! Espero que seja mais uma forma de a gente se aproximar e se conhecer ainda mais.

Beijo enorme e uma semana iluminada,
Bele.

sábado, 21 de maio de 2016

Carta para Ana: sobre onde ela pode enfiar a "santa indignação" dela

Querida Ana, eu queria ser desbocada o suficiente para começar esta carta mandando você enfiar a sua "santa indignação" num lugar bem específico. Li sua postagem sobre a nova campanha da C&A e senti algumas coisas por você, dentre elas: pena, nojo e "indignação". Olha, como temos algo em comum, não é mesmo? 

Eu gostaria de te contar o quanto eu amo Deus e como ele se fez presente na minha vida em vários momentos, inclusive quando eu fiquei sabendo que o meu ex-namorado decidiu ficar com um namorado. Vou tentar ser breve, mas gostaria muito que você soubesse um pouquinho da minha história. Nós nos conhecemos quando tínhamos 12 e 16 anos. Criamos uma companhia de dança juntos, rodamos o país dançando, nos descobrimos sexualmente, nos descobrimos como pessoas e vivemos momentos incríveis juntos. Isso durou uns 7 anos. Foi quando decidimos nos separar, não nos gostávamos mais. Sabe o amor? Sim, eu o amo. Amo ver como hoje ele é feliz com o namorado dele, amo todos os meus amigos e amigas que decidem escolher alguém do mesmo sexo para casar e rezo todos os dias para que o amor seja pleno sobre todas as coisas mesmo diante desse caos, mesmo diante das suas palavras (nojentas). 

Não tenho como julgar sobre sua educação ou sobre as coisas que você viveu. Mas te digo, fique sempre atenta. Eu me permiti ficar sempre atenta, pois sou um ser humano e vez ou outra o preconceito é um bichinho que aparece e dá aquela mordidinha na gente. Na real, a gente tem medo do que é diferente do que a gente sempre vê no espelho todo dia. Uma menina negra com um black bem grande (e lindo), um cara sem uma perna na balada, uma mulher que tem vitiligo e até uma atriz que já esteja com suas ruguinhas e aparece na novela das nove já desperta algum comentário na sala "vixi, tá ficando velha, né?". 

É Ana, somos diferentes e isso é lindo, viu? É uma pena que você viva tanto tempo iludida achando que tem Deus no coração. Esse Deus aí definitivamente não é o mesmo que eu converso todos os dias em silêncio. Prometo que quando eu conversar com ele hoje, vou pedir pra que ele sussurre no seu ouvido sobre como o amor é lindo. Vou pedir pra que ele te mostre como "a verdade imutável da palavra" dele é exatamente: "ouse, misture". Vou pedir que ele te dê filhos homosexuais e heterosexuais pra que eles te ensinem o que é amor sob todas as formas.  

Eu aqui dos meus 25 anos tenho fé que você, aos seus 40, ainda tenha tempo pra repensar e amadurecer cada palavrinha feia que deixou registrada esses dias no Facebook. Ana, mulher, você é bonita, tem milhões de pessoas que te seguem, tem uma família, deixa de ser egoísta e deixa o povo ser feliz! Queria um dia poder te encontrar e te dizer tudo isso pessoalmente. Gostaria muito também de poder conversar com seus filhos, que devem ser mais maduros que você. Gostaria de não tomar mais um susto lendo uma postagem tão surreal (essa é a única palavra que me vem à mente) como a sua e que, infelizmente, reflete o que pensa uma pessoa que existe também fora das redes sociais (é surreal saber que existe).  

Por sorte, existem C&A´s com campanhas que nos mostram o amor real, existem Target´s que deixam os banheiros sob a escolha do gênero de quem o utiliza, existem histórias como a minha e como a do meu ex-namorado. Olha, estamos todos muito felizes, viu? Abre um sorrisinho, mulher, esse carão da foto não colou não. 

Um abraço e fique com Deus,
Bele.  

Ps.: Desculpem, não consegui tirar esse treco branco do texto, mas decidi postar mesmo assim. 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Save the date: e vai ter Arraiá do Mercado Xique!


Olhem que coisa linda: já pode guardar a data na agenda, viu? Dia 5 de junho vai rolar o arraiá mais charmosinho da cidade! :)

Data: 05/06
Hora: 15h às 21h
Local: Pracinha Getúlio Vargas (Mini Golf, ao lado da OAB) - bairro São José
Paga pra entrar: não, é de grátis, fia!
O que vai ter: trio pé de serra, comidinhas típicas, amigos, família, casamento caipira, barraquinhas de brincadeiras e muitas surpresinhas bem boas!

Em breve soltamos todas as boas novas, mas por enquanto é só ir acompanhando lá no evento do facebook e no instagram: @mercado.xique 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A Alta-Costura mora no sertão

 O tempo, definitivamente, é coisa relativa no sertão. As mãos das bordadeiras fazem a gente, na nossa ousadia urbana, se perder na tentativa de acompanhar o bilro indo de um lado para o outro, quase como um balé. E até bem que parece ser um clássico de repertório não fosse o batuque acelerado da madeirinha que faz a renda de bilro nascer, lentamente, podendo levar até meses pra concluir uma peça.

Eu pude acompanhar esse espetáculo da cochia, quase como uma menina curiosa que fica repetindo os passos meio desajeitada, quase sempre fora do ritmo. E foi exatamente assim: embarquei com a Coutto Orchestra, banda sergipana ganhadora do Prêmio Natura Musical, que na construção do seu novo disco, o Voga (2016), levou uma equipe de tripulantes para um verdadeiro mergulho nas águas do Rio São Francisco.

Povoado de Entremontes, em Piranhas-AL, a parte do rio que mais que encantou... dá pra perceber o motivo?

Detalhes do ateliê Tenda de Mané de Santo

Eu embarquei junto a eles em busca de referências e inspirações para a construção do novo figurino, um desafio que levei na mala junto ao meu companheiro criativo João Hungria. Foram mais de 14 dias morando num barco, tomando banho de rio e lavando as roupas com sabão de coco. Dormíamos na beira de um povoado e amanhecíamos em outro. Passamos por mais de 20 localidades sempre com a sede de encontrar um novo personagem, uma nova história.

E assim acontecia, como se os atos fossem escritos ali mesmo. Seu Bossa, nosso comandante-querido-vô dava o sinal de que estávamos partindo, assim que acabávamos de comer o “quarenta”, uma receita secreta de cucuz que nos alimentava praticamente nas três refeições do dia. E a descoberta acontecia deliciosamente: o sertão tem ouro todos os (en) cantos. Ouro na quantidade de borboletas coloridas que encontrava pelo caminho e que resistiam, tão frágeis, naquele calor de torrar o cocoruco de uma branquela curiosa. Ouro nas rezadeiras que benzem com conselhos que revelam uma maturidade tão natural quanto o cheiro, o sol, as cores daqueles lugares. No sertão tudo se encaixa no seu tempo. E ai de quem tentar entender... ali (simples)mente se vive, se passa, se toca, se ri.   

Eu e João ajustando os moldes do colete  

Apresentando as ideias e croquis para as bordadeiras de Entremontes (Piranhas-AL)

Nas andanças tive uma pontinha de esperança: não morre aquilo que se vive num novo olhar. A cada atelier que entrei, um mundaréu de referências me tomava os olhos e dois personagens sempre em cena: o mestre e o aprendiz. Presenciar aquilo funcionava quase como um respiro sussurrando no meu ouvido: “Ei, essa memória vai continuar sempre viva, fique tranquila.” E como um deleite descobri a Tenda de Mané de Santo, em Porto da Folha -SE, onde se faz arte em couro. Seu Manoel (o mestre) e Kiko (o aprendiz). As ferramentas, agulhas, couro de bode, fita e a paciência de furo a furo construir um gibão, tão detalhado que mais parece ter saído de um atelier de Alta-Costura.  

E não é? Segundo a jornalista Camila Yahn, Alta-Costura é o que podemos chamar de moda exclusiva, feita à mão, com materiais de altíssima qualidade. O termo tem sindicato e é cheio de regras bem específicas como, por exemplo, empregar um staff em tempo integral de 15 pessoas.

 No Centro de Produção na Trilha do Cangaço, em Poço Redondo-SE, não encontrei uma equipe de 15 artesãs trabalhando na peça da nova coleção da Chanel, mas encontrei três mulheres, em estágios diferentes da vida, que ficam sentadas por horas construindo cuidadosamente uma libélula rendada em bilro. Eu sai de lá com a certeza de que o sertão é um grande balé clássico cheio de detalhes em seus figurinos inspirados na vida real de um povo que tem seu próprio tempo. Um espetáculo que estreia a cada entardecer, com um céu que presenteia o espectador e faz se perder no deleite das cores de dois arco-íris simultâneos num mesmo céu e uma dúzia de borboletas à beira rio. O Velho Chico assiste cansado, mas a memória do sertão estará sempre viva por cada curioso que lhe visite.  

* texto escrito por mim para a edição 26 da revista Ícone, um agradecimento especial ao querido Márcio Lyncoln pela confiança e carinho. 
Fotos: Melissa Warwick 

Vitrine

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